quarta-feira, 18 de abril de 2012

Fonte de Poder



   – Então finalmente você veio minha jovem – disse ele abrindo um doce sorriso. – Siga-me, vamos conversar aqui dentro – deu as costas para Jude e prosseguiu corredor adentro.
   – Sim, claro... – Jude acordou do breve transe e partiu em seu encalço.
   O sujeito era alto, trajava um terno preto risca-de-giz com uma gravata vermelho sangue que tinha um nó impecável. Ela seguiu-o pelo estreito e escuro corredor, não era muito grande, ao seu final podia enxergar uma tênue luz roxa. Chegando a abertura ele deu um passo para esquerda e com uma majestosa reverência a esperou.
   – Que lugar é esse Ethan? – Jude falou baixinho com medo de que mais alguém pudesse ouvi-la. O salão que eles chegaram não era muito grande, poucas mesas de madeira ao centro, algumas pequenas luzes roxas que mal iluminavam o local, um sofá de parede no canto direito e um pequeno bar à esquerda, a única saída era uma grande porta com dois vitrais transparentes à frente. Só depois dessa rápida olhada percebeu que o local estava vazio, mas, mesmo assim era lindo aos olhos que até hoje só conheciam o subúrbio.
   – Esse é o pub de um grande amigo meu minha jovem. Está vazio porque ainda é cedo, acabou de escurecer, logo logo os garçons já chegam. – Ethan adentrou o bar e após alguns segundos escolhendo a garrafa certa serviu um copo de Martini e trouxe para Jude. – Esse é especialmente para você moça, para passar essa tristeza que ainda te aflige.
   Jude pegou o copo de suas mãos sem tocá-las e sentou no sofá, o qual era extremamente macio, percebendo que ele não a chamou de jovem como sempre fazia. "Muito mais macio que minha cama" pensou ela. Afundou-se no sofá desejando nunca mais levantar-se dali. Deu uma leve bicada no Martini e descobriu porque àqueles do mercado eram tão baratos, era um sabor completamente diferente, mais forte, saboroso, era divino. Ethan sentou-se à sua esquerda não muito perto e cruzou as pernas apoiando as brancas mãos em cima.
   – O que finalmente te trouxe até aqui? O que a levou a está decisão? – Ethan não gostava de apressar as conversas, mas, sabia que logo o local se encheria, precisava aproveitar o tempo.
   – Meu pai – disse ela cerrando os dentes. Sua mão direita começou a tremer... – Está na hora dele pagar! –Gritou sem se dar conta.
   – Se acalme Jude, olhe bem para mim. – Ela olhou sem questionar, e como aqueles profundos olhos a fascinavam. – Fique calma, eu sei que ele é um problema, você já me disse isso dá outra vez. Mas agora eu preciso que se acalme e me diga o que quer. – Jude parou de tremer, ele estava ao lado dela, ele ia solucionar os problemas, não tinha porque ficar nervosa, tudo ia se resolver.
   – Eu só quero a solução que você me prometeu, o poder de resolver os problemas que disse que me daria. Seja lá como ele for eu estou preparada, eu posso aguentar qualquer coisa por isso. Então, você vai me ajudar? – Disse ela pausadamente. Seu coração palpitava, queria sair pela boca, em uma golada ela matou o resto do Martini.
   A porta dupla se abriu rangendo e capturando a atenção de todos. Um velho com barba branca até a cintura e um chapéu pontiagudo apareceu. Jude deu para ele setenta anos fácil, trazia consigo um cajado de madeira que parecia mais velho que o próprio portador e trajava um manto roxo, da mesma cor que o chapéu.
   – Ethan, meu caro. Pare de enrolar essa jovem, dê logo o que ela quer, estou te esperando – disse com a voz arrastada bem baixinha e voltou para dentro de onde saíra.
   – Jude, preste atenção – Ethan tirou um pequeno frasco transparente tampado com uma rolha presa por uma corrente do bolso, dentro podia-se ver um líquido vermelho espesso e por fora estava escrito "Blood", olhou fixamente para ela. – Isso é apenas uma dose do poder que eu ainda irei te dar, beba tudo e vá resolver esse problema que tanto te atormenta, depois volte aqui... e arrumada.
   Pegou o frasco, mas dessa vez encostou-se nas mãos de Ethan, sentiu um sopro frio arrepiar seu corpo inteiro. – Que mãos geladas – pensou ela. Ele se virou e foi atrás de seu amigo. A ruiva, olhando para o nada, ainda balançou a cabeça afirmativamente algumas vezes sem perceber de imediato que ele saíra, causa do transe que ele a impusera com aquele olhar, com aquelas simples palavras que soaram como ordens para ela.
   – A primeira coisa... a primeira coisa... – seu cérebro ainda processava a ordem – é beber, isso! – Jude puxou a corrente e arrancou a tampa do frasco, virou o líquido de uma vez, e só então se deu conta que aquilo era sangue.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A Última Esperança



   – Tchau Caio.
   – Até amanhã moça.
   "Espero que não" pensou ela. Jude virou-se e saiu da pequena Lan House (de subúrbio) que trabalhava. Ela não aguentava mais aquele emprego, não aguentava mais seu patrão insuportável e miserável, não aguentava mais aquela vida. A noite começava a chegar, e trazia consigo seus inúmeros problemas, torcia para seu pai não estar em casa, para não chegar antes dela. Saiu correndo, ela tinha que chegar primeiro, tinha que chegar a tempo. O barraco onde morava, como ela costumava chamar, ficava a três quadras dali, logo estaria lá. O bairro era pobre, o asfalto velho e esburacado, casas com muro acima da cintura era luxo naquela região, raras calçadas tinham cimento.
   Parou em frente à casa de seu pai, ela sempre se lembrava dele dizendo o quanto tinha suado para construir a casa e que todos moravam ali de favor, e que não via a hora deles saírem dali. O quintal era pequeno, os cômodos também, dois quartos, uma sala, uma cozinha, e um banheiro, juntando tudo não daria um salão de recepção de muitas das lindas mansões que ela vira na internet. Jude estranhou o silêncio, apressou-se em abrir o pequeno portão e correu para dentro, passou pela porta aberta e deu de cara com ele.
   Seu pai estava deitado no pequeno e único sofá, completamente furado, de dois lugares da sala. Seu pé ficava pra fora, e estava imundo, devia ter trabalhado o dia todo descalço como gostava. Ele era um pedreiro cinquentão, esforçado, trabalhador, mas acima de tudo era um bêbado, torrava tudo que ganhava nos bares à fora. Acabou de entornar as últimas gotas do whisky  vagabundo que segurava. Ergueu os olhos avermelhados e avistou-a na porta, deu um sorriso debochado e um olhar de desgosto para a filha.
   – Quero ver você encontrar aquela velha hoje – disse ele embriagado. – E não venha me amolar depois, se não faço o mesmo com você, pentelha.
   – Seu cachorro, não acredito que você bateu nela de novo – Jude partiu pra cima dele tentando arrancar a garrafa de suas mãos. – Cadê ela? Cadê ela? – gritou descontrolada.
   Seu pai era no mínimo experiente em ficar embriagado após tantos anos, ele já não ficava mais tão desorientado, não com apenas uma garrafa de whisky. Soltou a garrafa e agarrou os pulsos da filha com a mão esquerda, com a mão direita alavancou-a pela cintura e jogou-a para trás do sofá. Jude sem conseguir nenhuma reação caiu desajeitada, mas sentiu que o chão não era duro, ou melhor, não havia caído no chão, estava em cima de sua mãe, que estava de costas pro chão. Lágrimas começaram a escorrer desenfreadas pela sua face, sua mãe estava desmaiada, com as roupas rasgadas, ou melhor, com os restos de roupas que seu pai não arrancou: uma faixa lateral de uma velha blusa amarela cobria apenas um dos seios, e a banda direita do shorts que não dava pra cobrir nem até a metade da cintura. Seu corpo estava cheio de novos roxos e o olho esquerdo ainda estava amarelado sarando da última surra. 
   – Seu pervertido retardado – Jude gritou se levantando. – Na próxima vez que eu voltar aqui vai ser pra te matar!
   Ela saiu correndo pra rua enxugando as lágrimas. Não suportava mais essa situação, seu pai sempre foi um bêbado, mas ele era um bêbado bom antigamente, pelo menos ele não dava nenhum trabalho, assim ela o enxergava, um coitado de um bêbado que morava junto com sua mãe. Mas de uns meses pra cá ele começou a ficar descontrolado, começou a bater em sua mãe e a trancar Jude no banheiro como castigo por intervir nas surras. Ela foi na delegacia e denunciou o ocorrido mas sua mãe negou e inventou outra história quando foi interrogada, ela não conseguia entender até hoje o porquê, mas sua mãe não entregou seu pai e por fim Jude levou uma bela surra também. Na última semana ele ficou pior, mais agressivo, pervertido segundo Jude, além de surrar constantemente sua mãe estava rasgando suas roupas e estuprando-a. Isso já havia ocorrido duas vezes até então e Jude jurou para sua mãe que se ela não denunciasse-o e permitisse que isso ocorresse mais uma vez ela iria embora e só voltaria quando fosse definitivamente terminar com isto.


   Quarenta minutos depois parou em frente a uma danceteria num bairro chique da cidade. Desceu algumas escadas para chegar na entrada, não havia fila e os dois seguranças enormes que ficavam ao lado da roleta a encaravam. O lugar até então não dava pinta nenhuma de danceteria, Jude não conseguia ouvir nenhum som vindo de lá de dentro, após a roleta só dava para ver um corredor para a direita. Lembrou-se então que devia ter se arrumado antes de vir, mas não havia tempo, não nessas circunstâncias urgentes, eles deixariam ela entrar, ela tinha aquilo. Puxou do bolso de trás da calça um cartão e entregou-o aos seguranças. Eles reconheceram-no e se entreolharam, o da direita era um pouco mais alto, ambos carecas, morenos, fortes, e bem grandes, trajavam ternos pretos e cada um tinha uma gravata borboleta branca.
   – Chame ele, espere um minuto senhorita. – O da esquerda disse para o da direita, que sumiu pelo corredor e voltou em instantes seguido por ele.
   O homem que surgira, se é que era um homem, (Jude ainda estranhava completamente aquela pele acinzentada, que parecia mais morta do que viva, aqueles olhos negros fundos, seu cabelo branco penteado perfeitamente para trás chegando até os ombros) parecia mais um defunto agora que Jude descartou a hipótese de que ele era um fantasma, pois ela suspeitava disso até então, que fosse apenas um ser criado pela sua depressão, algum conselheiro imaginário que podia fazer tudo acontecer.
   Agora os olhos de Jude faiscavam, ela sabia que podia contar com ele, ele não era como os outros, ele era real, ele existia, ele compreendia ela e todos os seus problemas, compreendia sua vida medíocre, ele disse que podia e que iria salvá-la desse inferno se assim um dia ela desejasse. Com um preço, claro.

sexta-feira, 23 de março de 2012

A Day to Forget

Vivenciado ao som de: Nox Arcana



   –   BOOOOOOOM!
   Com um salto John se levanta da cama, o susto o dispersa e o faz esquecer do delicioso sonho que estava tendo. O castelo todo chacoalha como se fosse uma gelatina.
   –  Meu Deus, o que será que está acontecendo.
   – BOOOOOOOM! 
   Outro estouro em seguida, e ele percebe que esse veio lá de fora, ainda mais alto que o anterior. Se apressa em colocar a roupa, abre a porta e com o desespero dispensa a escada com um salto, chegando rápido ao andar inferior. O chão está coberto de cacos de vidro dos quadros que despencaram das paredes, o lustre enorme que antes era onipotente agora chacoalhava como se fosse de brinquedo. John ouve gritos, percebe que a porta dos fundos não está simplesmente aberta, foi destruída e se encontra completamente em pedaços do lado de fora. Ele corre instintivamente para o quintal, que no começo foi seu playground, durante muito tempo depois seu campo de treinamento, e que hoje havia se transformado numa zona de guerra.

   John não acredita no que vê, sua mente demora a processar os fatos, como se fosse impossível, inadmissível, inaceitável. Uma cratera gigantesca está aberta onde antes existiam as árvores, onde existia uma mata... a sua mata, cheia de armadilhas, cheia de truques. E agora só havia um buraco enorme com terra firme, a poeira que estava alta, devido as explosões, agora se acalmava no solo duro. E ele viu... seu Mestre, firme, com as mãos rijas, punhos fechados, de costas para si. Estava escuro, a lua se escondia e todo o cenário era iluminado pela luz roxa dos cristais do castelo. 
   Dentro da cratera à frente de seu Mestre estavam dois sujeitos que nunca havia visto antes, observou-os rapidamente, mas absorvendo o máximo de detalhes. O da esquerda era loiro, tinha o cabelo fino e curto, de lado, o rosto largo, cheio, os olhos azuis, brilhantes, místicos, grandes, era uns dez centímetros maior que o outro, um metro e oitenta cinco, por aí. Era forte, bem forte, John podia ver seus músculos rígidos por baixo da roupa, e não acreditava no que ele trazia consigo, não podia ser, era a Zambata¹, pelo que John sabia essa era uma espada de duas mãos muito antiga e procurada pelo mundo todo, e além de ser extremamente afiada era muito pesada também, e ele empunhava ela com uma mão só, apontada para seu Mestre.
   O sujeito da direita tinha cabelos negros, lisos e grossos, completamente despenteados, jogados ao vento, ou ao jeito que as passadas de mãos os deixassem. Tinha o rosto distante, fino, firme, inexpressivo, não conseguia decifrar um sentimento, um desejo se quer, nada transpassava por ali, nem parecia que estava numa batalha. Seus olhos eram pequenos, vermelhos, enigmáticos, completamente diferentes de qualquer olhar que já tivesse visto, não que tivesse visto muitos, é muito raro encontrar olhos vermelhos. Seus trajes que eram estranhos, nada apropriados para uma batalha, uma capa longa e comprida que circundava todo o corpo com vários escritos em Kanji² e desenhos de dragões, todos em branco destacando com a capa negra. Podia se ver uma bota alta nos pés sem conseguir identificar seu fim e John ficaria feliz se tivesse parado por aí. Com uma das mãos o sujeito segurava um corpo nos ombros, sua mente foi rápida em identificar mas ele não queria aceitar, era mais inadmissível que aquela cratera gigante e sua batalha, que John nem sequer sabia o motivo. Era ele, seu conselheiro durante tantos anos... Jeffrey estava jogado como um saco de batatas no ombro daquele sujeito, e John não sentia energia alguma naquele corpo.
   Com um salto John chegou ao lado de seu Mestre, os estranhos sujeitos olharam rapidamente para ele e voltaram a atenção para seu Mestre, como se fosse insignificante sua chegada.
   – Mestre, o que está acontecendo aqui? Quem são esses?
   – John, fique fora disto... é um assunto particular.
   – Eu não posso permitir que eles levem o Jeffrey, eu vou vingá-lo SEUS DESGRAÇADOS! – E com um movimento apressado John saca duas Katanas³, que antes estavam invisíveis, de suas costas e salta em direção ao que está segurando seu conselheiro.
   O alvo de John nem sequer mexeu um dedo, olhou rapidamente para cima e esperava a queda dele sem fazer nenhum movimento."Será que ele não vai desviar" era a única coisa que passava pela cabeça de John. No último instante, faltando centímetros para John rasgá-lo com suas espadas, o loiro com um movimento incrivelmente rápido bloqueia o ataque com sua enorme espada e com a pressão do contra-ataque ainda o faz retornar para o lado de seu Mestre.
   – Mike, faça-o retornar, se não quiser perder também seu aprendiz, você sabe que não estamos interessados nele, mas se ficar no nosso caminho... – Com um ar sério o loiro deu seu decreto.
    Quem você pensa que é!? – John gritou perdendo a paciência. Não era mais um moleque, por que não davam atenção pra ele, por que não lhe contavam o que se passava.
   – John? – Seu Mestre o chamou baixinho encarando-o e apontando com um dedo.  Isso não é problema seu, eu tenho que terminar de acertar um assunto com esses caras e não quero que você se meta nisso, eu irei explicar tudo depois, volte pra dentro AGORA!
   John não conseguia acreditar, seu Mestre lhe negando uma explicação, ele não queria saber depois, ele ainda era afobado e ansioso, queria saber agora. Não iria esperar, se seu Mestre não queria falar ele respeitava, mas iria fazer esses dois idiotas abrirem suas matracas, e era agora. Intensificou toda a energia que estava no seu corpo, um vento começou a rodeá-lo, seus cabelos estavam esvoaçando, sua roupas começaram a rasgar em vários lugares, seus músculos cresciam, sua energia estava se multiplicando muito rápido, o chão afundou ao seu redor.
   – Você tem potencial criança... – O moreno agora estava atento a batalha, mas ainda não largara o ar despreocupado, John o fitava pronto pra atacar e dessa vez sim arrancar sua cabeça fora. – Mas isso aqui não é com você, e nem pra você, não gosto de tirar vidas à toa, deixo você ver o final. –  E piscou para John.
   – Seu idiota, pare de ser tão prepotente, quero ver você me enfrent... – Faltaram  forças para John terminar a frase, suas energias estavam se esvaindo em questão de segundos. Aquela piscada, era algum truque, algum poder daquele maldito. John não conseguia se mexer, não conseguia mais falar, estava perdendo todo seu poder, ele sentia sua energia desaparecendo e o moreno sendo preenchido com ela. O sono o estava dominando, seus olhos começaram a se fechar. "Não, eu preciso ficar acordado, preciso lutar", sua mente em vão tentava manter seu corpo em pé, tudo foi ficando escuro... escuro... até que se apagou.


   Aos poucos John foi recobrando a consciência, parecia que tinha dormido muito tempo, estava bem, seguro, ainda não lembrava do que se passara... abriu os olhos e percebeu que o mundo estava ao contrário... Não, ele estava pendurado de ponta-cabeça, com as pernas e pés amarrados num firme galho da árvore mais próxima da cratera. Isso, a cratera, lembrou de tudo.
   Ao longe via os dois estranhos atravessarem um grande portal, agora carregando dois corpos. "Merda", seu mestre tinha sido apanhado também, e pelo que ele sentia não restava energia alguma também naquele corpo, ele não podia ter morrido, não pode... John energizou sua mão e cortou as cordas, correu em direção a eles, precisava passar pelo portal também. O loiro passou sem se quer olhar pra trás carregando seu Mestre nos ombros. O moreno parou, jogou o corpo do velhote para dentro do portal, virou-se para trás já esperando encontrar John. Um cachorro apareceu vindo do portal e ficou ao lado do moreno, só assistindo o desfecho como se precisasse confirmar aquilo com os próprios olhos.
   – Não temos ordem para levá-lo também criança. – O moreno disse firmemente, o portal começara a se fechar em volta dele.
   – NÃÃÃOOOOO! – John se desesperou, corria o mais rápido que podia. Que desgraçado, ele com certeza era mais novo que John, pelo menos pela aparência, no máximo vinte e sete e olha lá, que prepotente, de novo. – Dessa vez eu vou conseguir!  Estendeu a mão para alcançar o portal, estava tão perto, com certeza daria tempo, o portal ainda era do tamanho de uma porta e ele estava a poucos metros.
   Sem dizer mais nenhuma palavra o moreno desconhecido, que parecera anteriormente tão inofensivo aos olhos de John, levantou a palma da mão direita em sua direção e tudo começou a tremer. John viu uma explosão gigantesca de energia em forma de ondas emanar daquela mão, ele recebeu um impacto monstruoso, perdeu o chão, estava voando, arremessado por um poder incrível, e estava voando para longe, quase da altura do castelo, quando viu o mesmo ir ao chão, desmoronar por inteiro. Lá de cima ele ainda viu o moreno virar as costas, entrar no portal e sumir.
   John arremessou um de seus cristais tentando alcançar o pequeno buraco que restava agora do portal para se teleportar para lá, mas foi inútil, já estava muito longe, quase saindo das redondezas da propriedade e o cristal ficou pelo meio do caminho. Se teletransportou para ele mesmo assim, era melhor do que cair daquela altura, e já estava todo dolorido por dentro, provavelmente alguns ossos quebrados pela força do impacto que o arremessou.
   Apareceu no meio da mata restante que circundava o antigo castelo que agora estava em destroços, deitou-se no chão, não estava fraco, mas sem fôlego, assustado, precisava respirar, era muita coisa para digerir em um único dia. Seu Mestre, seu conselheiro... aquele cara conhecia seu Mestre, e com certeza não era de ontem, ele o chamou de Mike, um apelido que poucos conheciam. E que poder era aquele, nunca tinha visto nada igual. John precisava encontrar eles, só não sabia por onde começar.


¹- Zambata: Espada lendária de duas mãos com este formato.
²- Kanji: Os kanji (漢字) são caracteres da língua japonesa com origem de caracteres chineses.
³- Katana: Sabre longo japonês.